sábado, 21 de abril de 2018

O Astro rei

O Astro rei, este mensageiro do dia,
manda pras calendas a noite escura;
dos  noctívagos,  lhes tira a  alegria,
mas para  os diurnais  é  festa pura.

Porém, ao Sol, lhe faltará picardia, 
porquanto  sua  luz tão pouco dura?
ou  ele,  talvez,  na  beleza  confia,
por  ser tão  bonita  a clara figura?

Mas no Sol grassa grande confiança,
porquanto ali está a milhões de anos,
e se consagra por não fazer lambança.

Na noite o sol está detrás dos panos,
contudo, a luz  sua, a selene alcança,
a que não  o deixa  cometer enganos.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Mar, meu desafeto

Da minha janela avisto o oceano,
hoje duma cor pálida, enfermiça;
que me parece eivado de preguiça,
mas que noutros dias já foi tirano.

Mar é estranho, sou homem urbano,
porém vê-lo, minha atenção atiça;
matas tanta gente, valha-te missa!
mar perigoso, ao longo de todo ano.

Tens tempestades convulsas, malsãs,
talvez, carregadas de pestilências,
as quais arrepiam as minhas cãs.

Pescadores dedicam reverências,
às tuas ondas que são como irmãs,
pois a ti explicam suas carências.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Aqui no Patropi

Neste Brasil, um paraíso de quem rapa,
lugar que, vale muito aquele que tem mais;
ladrões de alto coturno se acham os tais,
cada velhaco, da justiça sempre escapa.

Marginal não precisa viver a socapa,
então pode ser até famoso demais;
porque ter dinheiro enobrece marginais,
quando quiser recebe benção do papa.

Mas como pode existir um país assim,
em que muito se rouba e fica numa boa,
enquanto os miseráveis só comem capim?

Este um Patropi que meliante ri a toa,
todo político, mesmo ladrão chinfrim,
na sociedade, é uma figura de proa.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Inspiração

Se e quando a inspiração te espete,
pegue-lhe firme pelo braço no ato;
ponha pra funcionar seu fosfato,
então crie, componha, pinte o sete.

Mesmo sem rei, madame ou valete,
nunca deixe esse o certame barato;
à obra que virá, dê seu melhor trato,
pois onde há talento, ousar promete.

Nada impede de fazer que queira,
quando este alumbramento te chama;
portanto o faça! E siga adiante.

Caminhando conforme você beira,
não busque reconhecimento ou fama,
lembre, no mundo você é estudante.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Soneto definitivo?

Por um  soneto  extremado me babo,
um que contenha a palavra certeira;
levando o  pensamento  na  esteira,
sendo  especial  ao  fim e ao  cabo.

Não poema que um outro torça o rabo,
mas  algo  intrigante  à  sua maneira;
que da mente do que lê abra porteira,
então   flagele  a   bunda  do  diabo.

Mas  fazer,  sinceramente,  não sei,
trilhando os caminhos ditos normais,
e  imagino  que  se  pudesse  era rei.

Ditando ao mundo minha própria lei,
porquanto   seria   um   vate  demais,
mas, por enquanto, isto anpenas sonhei.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Face Book



F iz uma aposta nessa rede social
A qual a todos supostamente une
C aindo eu num vórtice descomunal
E scuro, onde ninguém fica impune.

U m buraco negro de feição do mal
M edonho, onde as hordas reúne
A li não posso navegar minha nau
L ogo, saio enquanto estou imune.

O Facebook não foi feito pra mim
U tópico universo só de sabichões
C aio fora, meu cabedal é chinfrim.

U ns radicais, não admitem senões
R azia todos eles cometem assim
A qui vou ficando com meus botões.

domingo, 15 de abril de 2018

Diplopia

Imagem real, e outra nem tanto, no lado,
viver  nessa   atra   duplicidade,  pareço;
diplopia,  disse  o  médico   consultado,
que é visão dupla, pela qual pago um preço.

Eis que, morar neste universo duplicado,
é como entender as coisas pelo seu avesso;
andando  na  rua   fico  meio   abobado,
pois tropeço na calçada se subo ou desço.

Do   médico  estulto  não tenho solução,
nada propõe, nem alguma receita indica,
pois não consta no Vade mecum uma ação.

Portanto, já tomei até infusão de arnica,
chá de jurubeba e alho poró, por que não!
enquanto essa tal medicina nada explica.