domingo, 10 de dezembro de 2017

Somos poeira de estrelas

Este Cosmos profundo e curvilíneo
Que não sabemos de suas raízes
Mas nos abriga em globais marquises
Está presente no fluxo sanguíneo.

Das estrelas, um filho ferrugíneo
É a criação de todas as matizes
Sejam seres tristonhos ou felizes
Uma prova de qualquer escrutínio,

Das estrelas evoluímos, sem saltos
Tanto nós, como os baixios e altos
Nesses transcendentes éons tão longos.

De bactérias a primatas risonhos
De musgo a seres que tem sonhos
E capazes de construir ditongos.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Nós no cosmos

Onde o horizonte de eventos existe
Contudo, a distância real encobre
Então há muito pouca luz que sobre
Quando pensamos, parece bem triste.

Nem aos telescópios alguém assiste
Aquela ocorrência, digamos, nobre
Mesmo que Hubble sua nitidez dobre
A fenomenal distância resiste.

Então, apenas cogitações sombrias
Turvadas por solares ventanias
Tornam uma lucubração tão forte.

O cosmos não é imensa avenida
Antes, é um nascedouro de vida
No qual vivemos apenas por sorte.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Juízo final

O apocalipse promete redenção
Porém não um oceano de doçuras
E somente praquelas almas puras
Que resistiram a toda tentação.

A crença que boas novas virão
Não convida a maiores aventuras
Descarta umas tantas amarguras
E, então conforta alma e coração.

Se tu fostes bom, acabarás rindo
Se, não, ao inferno serás bem vindo
Então fique em paz, meu caro amigo.

Porque almoço de graça não existe.
Só pecador permanecerá triste
Mas tua alma ficará num abrigo.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O riacho

O riacho timidamente nasce
Modesto, vai rastejando normal
Ele sabe que neste trecho dá vau
Contudo, logo terá outra face.

No entanto, rolando pelo caminho
Surpreso, aos poucos se vê engordando
Um tanto, que sequer sabe até quando
Enquanto flui quieto, de mansinho.

Solitário, anda no solo ermo
Não percebendo onde será seu termo
Conduzir as águas é seu destino.

De mansinho torna-se caudaloso
Acelerado, vivo e buliçoso
Ciente de sua existência, imagino.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A baleia e o homem



Nadando plácida e livre a baleia
Cruza sem esforço todo oceano
Enquanto no mar peixe enxameia
O bicho nada por baixo do pano.

Muitas vezes, o animal vagueia
Como se não tivesse algum plano
Provavelmente de barriga cheia
Porém não comportamento insano.

Só que este cetáceo está ameaçado
Pelo mamífero mais desgraçado
Aquele que mata por simples prazer.

E que num futuro vai ser extinto
Pelo bruto de maldade faminto
Que nas chamas do inferno vai arder.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Não se é jovem para sempre

Dono do mundo, quando se é moço
A existência? vivaz e enlouquecida
Enorme avenida larga é a vida
Força nos músculos que é colosso.

Na juventude não existe fosso
Mente aberta na cabeça erguida
Bom humor frente a óbices da lida
Nada é prá sempre, tudo é esboço.

Contudo, quando chega certa idade
O viço se transforma em saudade
Pois os problemas bem maiores são.

Então, o que era doce se acabou
Das delícias da infância nada restou
À frente? ponto de interrogação.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Meu cérebro


Nesta mente, sinapses peregrinas
De minhas volutas encaracoladas
Massa encefálica desmemoriada
Dum cérebro como a subir colinas.

Ah! aquelas lembranças matutinas
Vindas de recordações esticadas
Misto de coisas nenhumas e nadas
Insalubres como áridas salinas.

E não existe pensamento ingente
Que ocupe plenitude desta mente
Numa conspiração, assim, genial.

Elevada de maneira admirável
Mostrando este cérebro saudável
Que eu gostaria de ter, afinal.