domingo, 19 de novembro de 2017

19/11 - Dia da bandeira

Soneto-acróstico atípico, os quatorze versos não dispostos de modo a formar quartetos e tercetos.


É “Ordem e Progresso” que nela está escrito

D ístico que nos faz lembrar Auguste Comte
I mperioso lema que pode ser um grito
A inda que para ele já ninguém aponte.

D um lábaro estrelado que é só um mito
A lguns brasileiros desejam seu desmonte

B andidos, à socapa em Brasília reunidos
A frontam sem pudor cada cor estampada
N enhuma legislação pune esses bandidos
D eitados em berço dourado a tal cambada
E ntão por esses bandos estamos perdidos
I ndígnos, pra eles o pano não vale nada
R asgaram a bandeira esses anjos caídos
A ssim nossa bandeira está enxovalhada.

sábado, 18 de novembro de 2017

Quando eu me for

Quando eu for, favor não chorar por mim
Prefiro que guardes essa tua dor
Por certo é melhor que seja assim
E lembrar do melhor seja onde for.

Quando eu for, por favor sorria sim
Prefiro que não fiques em torpor
Somente meu corpo chegou ao fim
Os que ficam ainda podem compor.

Na cova não há beleza ou bondade
E tampouco espaço para saudade
Apenas muita paz, tão somente.

Nossa alma não tem nenhuma vontade
Só um grande silêncio a invade
E, naturalmente, ela nada sente.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Está escrito?

Há aqueles que acreditam na tal sorte
Sem a qual estariam talvez perdidos
É certa fé tão maior que seus sentidos
Que lhes fornece um potente norte.

Agora eu, se não for bastante forte
E não der crédito a meus ouvidos
Vendo-me sujeito ao desconhecido
É normal que a coisa toda entorte.

Então, acho que não está escrito
Que o destino será feio ou bonito
E que o caminho será desse geito.

Meu amigo, destinados não estamos
Nosso caminho? Só nós o traçamos
Nada absolutamente está feito!



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Versejando

Espremi o suco de cada estrofe
Como se fora inspirado poeta
Embora eu nem um pouco filosofe
Penso que essa forma é mais direta.

Fazer rimas, pra mim é lucidez
Que no meu cérebro vai explodindo
Encontro nelas um pavio talvez
Que detona a lírica modo lindo.

Nestes versos não há conciliábulos
Apenas exponho uns belos vocábulos
Que desejam exprimir as ideias.

Ideias tais que não causem assombros
Também não reduzam tudo a escombros
E não sirvam pra grandes panaceias.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Uma República tropical


Era um quinze de novembro bem normal
Tudo correndo tranquilo naquele Império
Mas, descontentes do Partido Liberal
Queriam que seu movimento fosse sério.

Foram, pois, acordar o velho Marechal
Que este tinha força de um grande critério
Em que pese ao Monarca ser mui leal
A Dom Pedro não deu lhe nenhum refrigério.

Proclamou esta República meio no grito
Eis que um tanto sonolento e de ressaca
Porém, a história fez dele grande mito.

Então, hoje o proclamador ninguém ataca
Embora seu gesto tenha sido esquisito
E a República transformada numa caca.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Renovação


No espaço, uma anã branca explode
Se ninguém a vê, isso ocorreu de fato?
Mudou, assim, o magnífico extrato?
Ou apenas é prenúncio duma ode?

O universo transcende seus riscos
Porquanto a cada átimo ele muda
É, para nós, brutal mudança aguda
Mas pro cosmos, uma varrida de ciscos.

Esse cataclismo não nos enluta
Morte da anã, é mera convulsão
Logo lhe vem uma substituta.

Por isso o universo nunca pára
Se refaz a cada dia, cada explosão
Então surge novo, com nova cara.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A noite

A noite na escuridão mansa, nada
Nada diferente, pura rotina
Ainda que sequer esteja estrelada
Procura na terra uma bailarina.

E sem descanso, vara a madrugada
Quando o horizonte se descortina
Em flagrante, a noite então divaga
A luz do sol surge e a alucina.

Então, o blues lamenta-se na vitrola
Num compasso meloso bem dosado
Melancolia que ninguém controla.

Este som pesaroso deita e rola
Como se o mundo estivesse errado
O mal solto, a bondade na gaiola.