quinta-feira, 27 de julho de 2017

Um dia a casa cai!

No futuro diremos: cadê a primavera?
O que foi que fizemos com a natureza?
E erramos, até onde tínhamos certeza?
Se foi isso, a vida neste Planeta já era.

O Homo fez todo mal que um dia pudera
Antes, para colocar alimento na mesa
Após, só para exibir poder sobre a presa
Então marcar de violência esta sua era.

Porém por tudo que fez pagará o preço
Porquanto, não existe almoço de graça
Então, do extermínio é apenas começo.

Homo ameaçado, porque uma ameaça
Que virou toda a natureza pelo avesso
O que tornou a vida no Planeta escassa.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

26/07 Dia dos avós

Lembro, os meus avós eram doces velhinhos
Já contemplativos com memória falha
Pareciam viver noutro mundo, sozinhos
Cientes de cada luta, cada batalha.

Meus avós pareciam meio transparentes
Magros, saúde um tanto comprometida
Já não dispunham de seus verdadeiros dentes
E, talvez já cansados de viver a vida.

Porém, hoje as coisas não são mais assim
Pois todo velho à tristeza espanta: xô!
E também não fica pensando no seu fim.

Não ao tempo de ficar triste, borocochô!
Contudo, digo tal coisa apenas por mim
Porque recentemente me tornei um avô.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Indriso - Versos e sonhos

Indriso é uma nova modalidade poética formada por dois tercetos, seguidos de dois monósticos (estrofes de apenas um verso). As rimas e a métrica ficam a critério do autor. Eu adotei versos decassílabos e pretendo experimentar rimas, como faço nos sonetos. Neste caso, adotei rimas aLternadas em todos os versos: ABA- BAB - A - B.

Auto compõem-se, meus versos, então
Porquanto a eles nunca eu me oponho
Tem, cada um, própria definição.

Muitas vezes traduzem algum sonho
Mas, não somente sonho de verão
Nem talvez algo um tanto bisonho.

Contudo, sei como os sonhos são

Tudo, menos evento enfadonho!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Rondel - Justiça

Ladrão neste país é um covarde
O qual, do pobre, rouba até mingau
Para puni-lo, sempre se faz tarde
Então quase nunca vai para o pau.

Canalha é nosso tremendo mal
Pois roubam erário e fazem alarde
Para puni-lo, sempre se faz tarde
Então quase nunca vai para o pau.

E nossa vontade de prendê-lo arde
Todos queremos justiça afinal
Portanto, que a cadeia não mais tarde
E prendamos o perverso marginal
Ladrão neste país é um covarde.

domingo, 23 de julho de 2017

Indriso - Procurando fazer

Indriso é uma nova modalidade poética formada por dois tercetos, seguidos de dois monósticos (estrofes de apenas um verso). As rimas e a métrica ficam a critério do autor. Eu adotei versos decassílabos e pretendo experimentar rimas, como faço nos sonetos. Neste caso, adotei rimas repetidas em todos os versos.

Descobrir como se faz eu preciso
Por certo, tento parecer conciso
Não é caso pois, de ser indeciso

Sequer sei em que solo então piso
E, por isso, leio tudo e pesquiso
Contudo, vou lhes dando um aviso

Mas parcialmente a frente diviso


Como fazer um quase bom indriso!

sábado, 22 de julho de 2017

Poesia e prosa

Me encanta a poesia e cativa a prosa
Com elas, a minha inspiração renasce
As vezes verve boa outras ominosa
Ainda que um parco talento me abrace.

Aflora-me algo numa hora silenciosa
É quando eu encaro minha musa na face
E, fico feliz, se ela meu texto não glosa
Por mais que certas insanidades eu trace.

Se não produzir, morre o poeta e escritor
Pois, letra e palavra fonte de vida o são
Temperadas com uma pitada de dor.

As vezes, contribui o amor sem solução
E sofrer seja agora ou que dia for
E a qualquer tema o autor nunca diz não.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

História parcial

Registro antigo, nalgum livro amarelento
Tudo escrito, cada evento, data, ou dado
Nada claro se houve lamúria, lamento
Ou sobre lágrima de quem tenha chorado.

A história parece ter claramente intento
De exaltar herói, mas ignorar derrotado
E registrar tão somente, escolhido evento
Aumentar a importância do herói soldado.

Gosto da história, porém óbices eu tenho
Pois, nos registros não surge gente comum
Por que retira-las com esse tal empenho?

Bem sei que pobre operário é só mais um
Contudo, quem fez a cruz, ou cortou o lenho?
Será que o pobre na história é mero pum?

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Procura

Apenas desmontar camada por camada
Ou desenrolar o novelo, como eu desfio
Assim que se chega ao imo, meu camarada
Todo saber do mundo, enrola-se num lio.

Há que pegar na veia, na veia sangrada
Sob um risco de se encontrar nalgum vazio
Sabendo que não será vale tudo ou nada
Cá com meus botões silencioso balbucio.

Porém, mais importante, a desenvoltura
Para encarar desafios, erguida a fronte
E lembrar que, aquilo que se faz perdura.

Talvez, limite esteja além do horizonte
E ninguém, necessariamente, o procura
Porquanto não há ganho que se confronte.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Vida

O universo na descomunal estrutura
Criou toda a matéria, o etéreo e a beleza
Tudo que existe, que é, será e que dura
E não esqueceu da alegria e da tristeza.

Contudo, a trilha da vida parece insegura
Porquanto, esta possui certa delicadeza
Requer um grau elevado de apego e ternura
Que deve ter muito cuidado com certeza.

Mas a vida do Planeta surgiu na lama
Então tornou-se mágica nossa existência
Essa que por todos os cantos esparrama.

Vida que, muitas vezes, há que ter tenência
De construir morada, até a própria cama
Cuja habilidade vai de arte à ciência.


terça-feira, 18 de julho de 2017

Alma

Por existir, onde nossa alma se esconde?
E como ela própria entretanto se chama?
Confesso, já perguntei e ela não responde
Escondida, porque lama é seu anagrama?

Mesmo que pelo esconso então ela ronde
E em tudo que toca, muita vida derrama
A qual parte da mente, ela corresponde?
E que ela faz quando nós voltamos a lama?

Sinceramente não sei, alma é evasiva
E faz questão, sobre ela própria, silencia
Como a dizer, tenha dúvidas se sou viva.

Fé nos diz que sem ela ninguém viveria
Que vive no nosso corpo e não é cativa
Que corpo sem alma é uma bolha vazia.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Efeito borboleta

Acode-me inquietação toda hora
Roubando alguma paz da minha mente
Perturbando a resplendência da aurora
E a perturbação o cérebro pressente.

No caso, volta ao presente demora
Porque, não há tempo suficiente
E prefiro uma inspiração aqui e agora
Mas nada muito ácido, muito quente.

Talvez, algo assim sobre a doce vida
Vida humana, colada ao Planeta
Que apesar boa as vezes é doída.

Não há desatino que se cometa
Pra violência, penso, não há saída
Acontece, pelo efeito borboleta.

domingo, 16 de julho de 2017

Minha cidade



Ó velho burgo, não há porque não te queira
Então não posso ocultar o meu sentimento
Porque você, minha namorada primeira
Sabe como me sinto e não o comento.

Foi você que me forneceu a alma viageira
E que nas dúvidas me dá algum alento
Sei que sempre está a espera, minha Palmeira
Que um dia me levará de volta o vento.

Nada mudou, você será como a recordo
E uma vez mais sentarei naquela praça
Um prazer, quando eu aí estiver a bordo.

Mágica, você nunca perdeu a sua graça
Com esta altivez eu sutilmente concordo
E, para abraça-la, não há o que não faça.

sábado, 15 de julho de 2017

Palavra amiga

Meu anelo do dia-a-dia: a palavra amiga
Aquela que seja uma tranquila assistente
Que ao leitor inocente jamais fustiga
Vai levando minha mensagem para frente.

O termo correto e eficiente, me abriga
Nem precisa ser mui caloroso, ardente
Porém, que suporta o texto tal uma viga
E para explicar o teor se faça presente.

Sem ser termo forte, seja elucidativo
E sem ser palavra nobre, melhor explique
Mostre porquê, e, depois, explique o motivo.

Que seja palavra que muito bem se aplique
Para manter o escritor animado e vivo
Enquanto ao leitor outro, evita chilique.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Minhas palavras

As vezes tenho uma palavra predileta
Que homenageio quando escrevo ou falo
Sinto-a, parece, pisando no meu calo
Até transforma-la numa ode dum poeta.

Contudo, alguma palavra mais direta
Me causa tanta impressão que me abalo
E sei exatamente o que fazer, num estalo
E, dalguma maneira, me torno profeta.

Há as tais palavras nobres, ditas de truz
As quais, sinceramente, pesam como cruz
Mas, bem empregadas, meu soneto até brilha

Vates não são competentes, palavras sim
Não me refiro aos outros, falo por mim
Porque, cada palavra, uma maravilha.